Não teve sorte o menino...
A liberdade tolhida adentrou-lhe a própria alma.
Perfurou-lhe as entranhas, impregnou-se em seu peito
como a lembrança mórbida do papai Noel que nunca vinha...
Não teve sorte o rapaz...
Um turbilhão de sentimentos aflorava em seus dias.
Desejos? - alguns se realizaram; outros porém se
dessiparam como a aspiral que se desprendia do
cigarro: - seu primeiro vício!
Sonhos ainda indecifráveis alimentavam-se na descoberta
do novo: - seu primeiro orgasmo...!
Verdades começam a florir: - sua primeira decepção...!
Não teve sorte o velho...
Cabelos grizalhos, olhos opacos...
Coração desfeito em dores...
A esperança em motim nada mais diz...
Resta-lhe do sonho o amargo fim,
A saudade do beijo que nunca deu...
Saudade da árvore que nunca plantou...
Saudade da estranha passagem por uma
vida inútil que perdeu o brilho como a
luz apagada no final do túnel...!
J. Francisco