quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Registro Geral


Sou quem se cruza

Ao passar por você,
Quase todos os dias..
Sou o que vem, o que vai,
Mas, você nunca sabe!
Sou apenas um,
Um a mais...
Na rua, no mundo e na vida,
Apenas um...
Apenas um a mais!
Tenho estatura comum,
Olhos e cabelos castanhos!
Eu gaguejo um pouco 
Quando fico nervoso...
Tenho esperado 
Que se termine logo o metrô,
Que é pra eu chegar
Mais depressa em meu trabalho!
Que mais posso dizer?
Nunca fiz nada de muita importância,
Nunca verei meu nome
Em manchetes de jornais...
E, se acaso isso um dia acontecer,
será por motivos muito tristes!


Alguma vez escrevi
três ou quatro poesias,
Que eu gritei por aí
Sem dizer que eram minhas...
Tenho uma vida pequena,
Mas nunca vazia!
E alguém me amou uma vez
Quando eu mais queria!


Poucas pessoas que eu quis,
Eu verei no caminho...
Quando eu tiver que partir,
Sei que parto sozinho!
Ah! quando a estrela acabar
Quem poderá me arranjar
Outro registro geral?!


Certa vez,
Entre quatro paredes de um elevador,
Em  meio aos gritos da penúltima noite,
Eu vi um bêbado todo enfeitado...
De voz pequena ele cantava a vida!
De rosto azul e um girassol na testa,
Dançava a dança de encanto esperançado,
Bebeu demais e se espalhou na terra...
Pra meu espanto e pranto imediato,
Incendiou-se o elevador do tempo,
E não havia o que temer no fogo,
Mas, eu fui bobo e não dancei de medo!
Hoje eu desci do elevador e ando,
Esbarro à toa em templos de estrutura,
Talvez estúpido ou desenformado!
Sou importante...
E nunca plantei flores...
Não dei boa noite,
Não comi a terra!
Será que deixarei
Um filho bem plantado?!
E a indiferença desse sol escasso,
Me dá espaço de quem sabe nada!


Onde andará o bêbado enfeitado?!
Em que lugar o girassol da vida?!


                            Antônio Marcos